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Dicas e cuidados para viajar sozinha

A cada 8 de Março as mulheres se colocam a pensar no que mais ainda falta para ser conquistado por elas – e a verdade é que ainda falta muita coisa. No rol de direitos que as mulheres têm, mas não têm (são os tais direitos velados, que dão a entender uma possibilidade, mas com consequências que não são levadas inteiramente em consideração para definir o que é, realmente, o direito), está o direito de viajar sozinha. De curtir sua própria companhia mundo afora.

Ninguém em sã consciência vai dizer a uma mulher que ela não pode fazer sozinha suas expedições, em pleno 2017. Mas é em pleno 2017 que a sociedade ainda se utiliza da vontade feminina de conhecer novas coisas para justificar coisas horrendas acontecendo por aí. No ano passado, por exemplo, eclodiram nas manchetes de jornais casos de mulheres que viajaram sozinhas e acabaram tendo um desfecho trágico, indigno de aparecer em qualquer cartão postal. E o que queremos, em 2017, é lutar mais forte para que as pessoas não só digam que as mulheres podem viajar sozinhas – porque isso já está bem claro – como, também, que respeitem essa decisão como um direito individual que deve ser mantido, acima de tudo, e em qualquer lugar.

O mundo é grande e, apesar de estar cheio de fronteiras, não tem donos específicos. Isso significa que as fronteiras demarcam limites territoriais e culturais, mas não posses. Também significa que qualquer país está aí para ser visto, visitado, dentro de suas peculiaridades políticas e econômicas, mas, de forma geral, aberto para homens, mulheres e qualquer outra pessoa que se defina dentro do espectro entre esses dois extremos. Resumindo, de forma bem polida, ninguém deveria dizer que um alguém tem maior ou menor direito do que outro de pagar suas despesas de viagem e conhecer, com segurança, o que estiver aí para ser conhecido.

A questão não devia ser se as mulheres podem ou não explorar o mundo sozinhas, e sim o que elas podem encontrar de diferente na experiência de não ter uma companhia de viagem. Acreditando na humanidade e sabendo que, nesse 8 de Março, milhões de pessoas refletirão sobre os direitos e o respeito devido às meninas em seus voos solos, é nisso que queremos focar: nas benesses e nas dificuldades de colocar uma mochila nas costas e sair por aí. E temos a dizer que o custo-benefício é atraente para aquelas que têm a alma aventureira e o coração aberto para novas experiências.

 

Nem só de selfie

Viajar sozinha é uma possibilidade concreta de autoconhecimento: sem alguém para seguir todos os seus passos e jogar conversa fora o tempo todo, você entra mais em contato com si mesma… e acaba descobrindo coisas muito interessantes a seu respeito – além de ver as outras pessoas de outra forma.

Algumas coisas básicas você já faria sem qualquer companhia: planejar um destino, reservar hospedagem, entrar em um avião. No destino é que começa, realmente, a aventura de estar só. Encontrar sozinha o local onde você vai dormir, decidir sozinha por seus passeios diários, entrar sozinha em museus e baladas são só algumas das atividades que soam diferentes. Tirar foto, então, pode se tornar um verdadeiro suplício: será que todas as paisagens que te agradam vão virar uma selfie?

É nessa parte da história que entra um dos primeiros benefícios de viajar sozinha, que é fazer novos amigos. Quantas vezes você já foi parada por uma pessoa, um casal ou um grupo pedindo para que você tirasse uma foto? Nada melhor do que contar com a mesma gentileza das outras pessoas para tirar sua foto em uma paisagem bonita e, de quebra, puxar um papo. Há quem goste de ficar na sua o tempo todo, mas, dependendo da duração da viagem, não cai nada mal trocar algumas palavrinhas com alguém agradável.

Se você é extrovertida e sabe que vai querer tentar fazer novas amizades na viagem, nada melhor do que ficar em um hostel, em detrimento de um hotel. Nos famosos albergues a galera está mais solta, aberta a novidades e acaba conhecendo pessoas novas e fazendo programas juntos pelo tempo da estadia. Alguns hostels ao redor do mundo promovem festas semanais justamente para aproximar seus hóspedes e facilitar novos laços, que podem virar amizades para toda a vida ou, pelo menos, para aquele trecho da viagem.

Mora aí um dos grandes benefícios de viajar sozinha: quando viajamos com amigos que já conhecemos acabamos nos fechando, naturalmente, naquela companhia de viagem. É como se fazer novos amigos fosse trabalhoso demais e não tivesse nenhum sentido, já que você tem ao seu lado alguém para dividir papos, tirar fotos e encontrar lugares. Quando essa pessoa não existe somos instintivamente levadas a pensar que uma alternativa não seria tão mal; afinal, somos animais que vivem em sociedade e se relacionam. Viajar por 30 dias e não falar com ninguém, se não for um objetivo de vida, pode se tornar um rito muito solitário se você preferir não tentar novas amizades.

 

Dicas para Viajar Só

Demos um voto de confiança para a humanidade em 2017, mas sabemos que algumas coisas demoram um tempo para mudar. Por isso, algumas dicas são importantes se você quer viajar sozinha nos próximos meses.

A primeira delas é ver como o país de destino trata suas mulheres e como se importa com o que elas vestem. Isso porque alguns países do mundo ainda “trocam” mulheres por animais, não permitem o uso de determinadas vestimentas ou são conhecidos internacionalmente por tráfico sexual. Estudar a cultura e a tratativa às mulheres em cada destino é o que pode garantir uma viagem sem surpresas desagradáveis.

Mesmo se esse não é o caso do lugar onde você escolheu para viajar, melhor não dar bobeira – o que vale, também, para os meninos que viajam sozinhos. Avisar alguém sobre onde você está indo e que horas pretende voltar é sempre um bom hábito. Isso não significa que você tem que dar satisfações de tudo (a liberdade de escolha é, inclusive, um dos muitos benefícios de viajar sozinha): apenas deixe avisado, para qualquer eventualidade.

Se algo inesperado acontecer, como um roubo de posses, documentos, assédio ou tentativa de agressão de qualquer natureza, dirija-se às autoridades policiais do destino para garantir que você possa repor suas perdas sem maiores dores de cabeça quando voltar para casa. Em suma, haja como você agiria se estivesse na sua própria cidade. Como dissemos, o mundo tem muitas fronteiras, políticas e culturas diferentes, mas não tem donos. Todos têm o mesmo direito à segurança onde quer que estejam.
No mais, deixe o estresse e o medo pra trás e tente se divertir ao máximo. Existem histórias que não acabam bem, mas a maioria esmagadora das experiências sempre são contadas com saudade e muito amor. Ao entrar sozinha em um avião, lembre-se apenas da primeira regra de qualquer viagem: divirta-se. Você pode. Não deixe que ninguém te convença do contrário.  

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